Amados irmãos e irmãs do grande continente da África

Carta do grupo de brasileiros, participantes do 3º Congresso Lausanne sobre Evangelização Mundial, realizado em Cape Town, África do Sul, de 17 a 24 de outubro de 2010, enviada a todos os participantes do Continente Africano, reunidos no mesmo Congresso, no dia 24/10/2010. Uma comitiva de brasileiros foi até onde o grupo africano estava reunido. A entrega e leitura da carta causaram grande comoção entre os irmãos africanos. Uma comitiva desses irmãos veio até onde os brasileiros estavam reunidos e falaram em nome dos africanos. Os brasileiros também ficaram impactados com as palavras trazidas por aqueles irmãos e irmãs. O encontro terminou com uma palavra de oração em meio a lágrimas de emoção. A carta original está em Inglês, da qual publicamos abaixo uma tradução para o português.

 

Amados irmãos e irmãs do grande continente da África:

 

                Nós os participantes brasileiros de Lausanne III temos sido abençoados abundantemente neste Congresso e estamos muito felizes de estar nesta parte do mundo. Os navegadores portugueses do século XV venceram os temores e as dificuldades naturais do Cabo das Tormentas, e abriram o caminho do comercio para Moçambique e para as Índias. Aqui eles ganharam inspiração, ousadia e coragem para explorar o Oceano Atlântico Sul e procurar chegar às Índias ainda que fosse “por mares dantes nunca navegados”  avançando para o oeste, e Pedro Alvarez Cabral oito anos depois de Colombo foi capaz de “descobrir” a Ilha de Vera Cruz, depois rebatizada de Terra de Santa Cruz, quando perceberam que não era ilha, e depois terra do Brasil.

                Ao re-lembrar esses fatos da formação de nossa terra e nação,  não podemos deixar de recordar nossa grande dívida histórica, moral  e física para com o grande continente da Africa, seus povos e nações. Depois da descoberta e por quase 400 anos do Brasil colonia e Brasil independente, nós dependemos do trabalho escravo para a formação de nossas plantações, para cavar nossas minas, para a construção de nossas casas, nossas cidades e nossa nação. Assim cometemos o pecado de seqüestrar pessoas  deixando atrás muitos órfãos, destruindo casas e vilas causando feridas profundas em suas nações.

                Cometemos o pecado de homicídios, de tratar pessoas criadas à imagem de Deus como bestas, impondo em seus povos violência física, psicológica e moral e condições sub-humanas de vida;  cometemos abusos de todos os tipos e sempre que foi possível ajudamos a destruir suas identidades pessoais, familiares, culturais e nacionais.

                A dívida moral que nós temos em relação as suas nações e povos é tão vasta, profunda e enorme, que nem começamos a medi-la.  Cremos que é uma dívida impagável.

                Se nós quiséssemos mostrar que realmente sentimos muito pelo que aconteceu  e que estamos arrependidos desse pecado histórico de nossa nação  em contra de vossas nações, nos teríamos de vir até vocês e dizer: Por favor dá nos a graça de sermos seus escravos. Sejam por favor, nossos patrões e nossos senhores, e dá-nos a oportunidade de servi-los. Deixa-nos ajudar a construir suas fazendas, cavar suas minas, construir suas casas e cidades com nosso suor, sangue e lágrimas como gentes do seu povo fizeram por nós. Permitam que nossos corpos sejam enterrados anonimamente embaixo de suas estradas e cidades, como fizeram os vossos povos por nós.

                E então, somente então, poderíamos  perceber que somos irmãos e irmãs de sangue , porque o seu povo derramou sangue por nós e nos abençoou, e vocês nos teriam dado a graça e a oportunidade de derramar nosso sangue em favor de vocês.  Talvez depois disso pudéssemos começar a entender juntos a amplidão, o comprimento, a profundidade, e a altura do amor de Cristo que derramou por nós ambos o seu precioso sangue e derrubou o muro de partição  para nos fazer uma só família n’Ele!

                Mas hoje precisamos pedir a vocês, perdão a algo imperdoável. Por favor, perdoem-nos. Por favor, perdoem os pecados do nosso povo contra vocês.  Perdoem os pecados de nossa nação contra as nações de vocês.

                As gentes provindas da África em uma imigração forçada ajudaram a construir o nosso país não apenas com suor, trabalho árduo e sangue. Estas pessoas e seus descendentes têm construído com suas mãos, sua cabeça e pernas (como Pelé, Ronaldo, Robinho, etc.), com coração, mente e sentimentos cálidos como muitos músicos, romancistas e artistas, ou com habilidades técnicas como médicos, engenheiros, juristas, políticos, em todas as esferas da atividade humana.  Muitos são membros de igrejas, e com sua fé, esperança e amor tem sido pastores, bispos, professores, líderes e santos.  O seu povo e seus descendentes tem sido uma benção para a nossa nação. Em vez de devolverem o mal que receberam com o mal eles tem abençoado a nós com a riqueza de sua música, enriqueceu a nossa  cultura alimentar com sua contribuição, e sobretudo  com a sua maneira rica e peculiar de ser humano, de ser gente, um próximo e irmão de alma, como estamos experimentando esta semana  com vocês.  Seus povos e descendentes se tornaram parte integral de nosso país, e de nossas famílias.  Muitos de nós nos orgulhamos de ser em certa medida, descendentes dos povos da África.

                Por favor, aceitem-nos como seus servos e servas,  seus escravos e escravas em nome do Senhor Jesus.  Com amor e ternura fraternais,

(Seguem 59 assinaturas)

                                                              Participantes brasileiros em Cape Town 2010

                                                                     Cape Town, 24 de Outubro de 2010    

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