A FTL-B no Vértice dos Tempos

  Assumi a liderança da FTL-B em junho de 2012 com o sentimento de que estava por lidar com um horizonte desafiador em muitos aspectos. Ainda não conhecia e não conheço de todo o universo evangélico brasileiro, embora seja um estudioso dele. A FTL-B situa-se como um dos principais movimentos do campo religioso brasileiro e possui um lugar único no contexto evangélico. Por sua vez, a participação em julho de 2012, Costa Rica, no CLADE V auxiliou no entendimento do que significa o movimento evangelical no continente e suas ligações com o protestantismo mundial, assim como sua força e relevância no Brasil.

Um misto de temor e de expectativa ainda se funde ante o desafio de dialogar com distintas posições e perspectivas, nos diferentes contextos locais dos núcleos com seus pertencimentos teológicos próprios. Trata-se, porém, de uma jornada ainda no seu início, movida pela paixão e pelo compromisso para com a unidade da Igreja.

Neste pouco tempo de acomodação e de conhecimento da FTL-B, nos apropriamos de algumas visões e compreensões, se não convicções, embora não numa disposição acabada.

            A primeira é a de que a eleição de uma diretoria representa um marco importante embora menor, se comparada à caminhada mais ampla. Compreendemos fazer parte mais de um processo do que de uma tarefa messiânica. Assim, pensando desde o lugar que ocupamos e em diálogo com os demais irmãos e irmãs que compõem a diretoria, a FTL-B hoje precisa fortalecer sua dinâmica interna a partir das atividades dos núcleos locais, fundamentalmente. Isto porque a FTL-B é um movimento basista, feito e engendrado a partir das suas bases, quais sejam, os núcleos que detém autonomia para se instituírem.

Num momento em que um dos espaços menos democráticos da sociedade brasileira são as igrejas evangélicas em suas práticas ou discursos autoritários, a FTL-B precisa fortalecer esta conquista da modernidade, que teve no protestantismo uma das suas principais forças a partir do sacerdócio universal dos santos. Contudo, a relação entre os núcleos, a diretoria e as consultas regionais/nacionais precisa ser melhor elaborada no estatuto da FTL que está sendo atualizado. Este será discutido nos núcleos e aprovado em assembleia nacional. Uma das questões prementes diz respeito à manutenção financeira da FTL, sempre enfrentando necessidades supridas até aqui por ofertas, mas que precisam ser cobertas pelos membros por meio de suas anuidades.

Deste primeiro ponto desdobra-se um segundo. Mais que uma questão estatutária ou financeira, trata-se de uma questão relacional centrada na fraternidade de um movimento plural em sua natureza. Uma pluralidade que não autoriza falas isoladas que representem a totalidade do movimento que, hoje, é formado por núcleos locais e regionais com suas particularidades e perspectivas.

Por sua vez, a FTL não se comporta como uma denominação formal com seus rigores institucionais. Ela deve estar a serviço do Reino e do povo de Deus, priorizando as pessoas acima das normas. As agendas teológicas de grupos organizados precisam compor dialogicamente um movimento plural e as agendas personalistas ficam em segundo plano. A FTL é movimento e se conduz pelos paradigmas da fraternidade, da unidade e da diversidade. As pressões e tensões devem surgir das experiências e das trajetórias de seus membros e núcleos organizados, desembocando no espaço FTL suas inquietações e reflexões oriundas da missão.

            Por fim, penso que a FTL-B precisa falar para três espaços distintos: a sociedade (civil e política), a igreja e a academia, desde o marco da missão integral. A teologia precisa ser feita na sua relação com o espaço público. A fala sobre o Reino de Deus passa pela linguagem teológica que assumiu o caráter público no Brasil e na América Latina. Uma fala desde as nossas consultas (locais, regionais e nacionais), as experiências dos núcleos, as reflexões de seus membros, as vivências das igrejas e as comunidades, os movimentos sociais e de enfrentamentos de desigualdades e injustiças sociais.

Se a FTL-B ocupa um espaço singular no cenário evangélico brasileiro, a sua fala deve ser ouvida por meio de distintos canais, através de boletins, publicações ou revistas, seja por meio impresso ou eletrônico, em diferentes níveis acessíveis às camadas mais e menos letradas. Uma fala que represente a sua história e as suas tradições por um lado, mas, por outro, que dialogue com as fronteiras da missão e da reflexão teológica. Falar exige a necessária postura humilde de ouvir o outro.

Neste sentido, não podemos temer o pensar crítico e rigoroso, dito acadêmico, pois ele faz parte da vocação cristã, no espírito de Isaías 50.4: “O Senhor me deu língua de eruditos, para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado”. Max Weber chamou de suicídio do intelecto a postura de não mais pensar em nome de verdades religiosas. A FTL não é acadêmica porque ela não é uma universidade e nem um centro de pesquisa, no entanto, ela não pode dispensar a contribuição que seus membros inseridos no campo acadêmico podem dar e muito menos não dialogar com esta academia.

A FTL é um espaço diferenciado da reflexão, da arte, da música, da literatura, da política, da educação, enfim, na vida em sua totalidade possível. Esperamos em Deus contribuir para a caminhada da nossa FTL, bem como a do povo de Deus na história. Temos em comum a paixão pelo Reino de Deus, marcados pela centralidade da Cruz e da Ressurreição e vencidos pela esperança dos novos céus e da nova terra. Uma paixão que olha para a ação de Deus no vértice dos tempos, nas dobraduras dos acontecimentos e nas contradições da nossa condição humana.

 

Lyndon de Araújo Santos

Presidente da FTL-B

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