Rede de Artistas Cristãos Latino-americanos

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 De 06 a 08 de julho pude colaborar com o vice presidente da FTL-Brasil, o nosso amigo e também músico Carlinhos Veiga, que juntamente com uma banda formada por dois hermanos Colombianos, Santiago Benavides e Mario Colmenares, se juntaram a Ismael Rattis e Pedro Feitoza em uma inesquecível turnê pelo Brasil, a fim de levar e cantar músicas latino-americanas com suas melodias típicas e conteúdos profundamente contextuais, feitos por um estilo artístico de qualidade e permeados por uma teologia também latina, sobretudo holística em sua teoria e práxis.   

 

Essa parceria do Carlinhos com o “Santi” (apelido carinhoso para o Santiago) começou a ser formada no CLADE 4 (Congresso Latino-americano de Evangelização), realizado em Quito, Equador no ano 2000, e convocado pela FTL. Depois essa caminhada começou a se estreitar quando por decorrência de Lausanne 3 – realizada na Cidade do Cabo, África do Sul em 2010, os dois se encontraram novamente.

Um ano depois (2011) devido a Consulta sobre Arte e Liturgia, convocado pela FTL, mas agora na Costa Rica, essa parceria começou a se consolidar, pois tal evento objetivou a criação de uma Rede de Artistas Cristãos Latino-americanos que tem desenvolvido reflexões necessárias para um mundo cristão que infelizmente, salvo por uma minoria, não tem produzido arte em sua amplitude que seja condizente com o grande e supremo artista do mundo e das nossas vidas. Desse encontro os dois fizeram parte de um grupo de trabalho (GT) que ficou responsável em preparar toda a liturgia do CLADE 5 que aconteceu um ano depois (2012), na cidade de San José, Costa Rica.

Desses encontros de comunhão e de parceria foi possível desenvolver essa turnê no Brasil durante 11 dias. Foram 10 apresentações em 8 cidades diferentes: Brasília,  Anápolis, Belo Horizonte, Viçosa, Campinas, São José dos Campos, São Bernardo do Campo e São Paulo.

Pela ótica de uma reflexão teológica holística arrisco a dizer que as músicas cantadas pelo grupo nos chamaram constantemente para não nos esquecermos do processo hermenêutico e contextual a partir das realidades de um Brasil e de seus países irmãos, onde as canções evidenciam uma realidade que se faz por meio de rostos sofridos que não se curvam às falácias de governantes irresponsáveis, e todo tipo de sofrimento impostos a homens, mulheres e crianças nesses rincões, mas muito pelo contrário, ou seja, mesmo em meio a um quadro pintado com corres de morte, e que é condenado pelas Sagradas Escrituras e pela prática do Reino de Vida proclamado por poucos profetas-poetas contemporâneos, esse povo segue cantando e dançando alegremente a partir do seu imaginário, por meio de suas flautas, grupos folclóricos e de suas preciosas vidas.  

Por fim, menciono aqui uma canção em específico que me fez refletir, emudecer e chorar. “El Sancocho” (traduzida como “o Sopão”) que evidenciou a possibilidade que poucos artistas cristãos têm desenvolvido, que é o de não mais promover espiritualidades enlatadas, mas, sim, uma espiritualidade encarnada, mais humana (não e paradoxo) que demonstre o amor divino a partir de histórias e estórias de muitos personagens anônimos que vivem à margem dos processos de dignificação, mas que na dádiva de compartilhar o pouco que possuem fazem disso canções na alegria da sua adoração.

Para quem não teve a oportunidade de conhecer esse grupo de artistas latinos, no próximo ano (2014) esses hermanos voltam ao Brasil para participar do Som do Céu 30 anos, mas desde já agradeço ao Carlinhos pela oportunidade desse encontro artístico, cultural e também teológico aqui no Brasil.

Att

Robinson Jacintho

Secretário Executivo da FTL-B.